quinta-feira, 10 de abril de 2008

Passos



Eu deixo algumas falas bobas ficarem na minha cabeça. Eu sempre penso em coisas que eu nunca mais quero esquecer, mas na verdade depois de um tempo eu tento me lembrar novamente da sensação e a perco. Alguém me disse um dia com palavras sábias: "eu só não quero ficar velha e não saber mais de como eu era". Ela, assim como eu, se achava muito adulta, mas na verdade, hoje eu vejo que nós eramos crianças que queriam parecer crescidas.
Eu lembro de várias falas e pensamentos ridículos, de ações toscas, de erros cometidos. Agora eu rio de tudo isso. E depois eu ainda vou rir de todas essas palavras, e vou escrever novas e vou rir delas de novo.
Mesmo assim alguns detalhes escapam. Assim como algumas pessoas também, dão passos silenciosos, abrem a porta e saem de fininho da memória. Eu tenho medo disso. Existem tantas coisas que sabemos que são eternas, mas não é por elas que eu temo. Temo pelas que por mais que eu tente me enganar, dizendo que vai ser para sempre, fazendo juras tão sinceras, que na verdade são falsas.
E daqui a um tempo eu vou ler este texto de novo e já vou ter me esquecido das entrelinhas.
Tão discreto.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Oco

Por hoje não escreverei algo marítimo, resistirei aos chamados do vento, das caravelas, da maresia. É que é tudo tão azul...
Imagine as sereias, com seus longos cabelos, metade peixe, metade mulher, não são elas atraentes? Não. Eu vou por um ponto final aqui, então.
Eu vejo todo esse espaço em branco e tento preencher com essas palavras vazias, sem significado algum. Extamente como eu, vazia, fria, sem sonhos ou ambições.
Hoje o riso é falso, ontem ele era de tão alegre, impertinente e incontrolável.
Talvez eu esteja tentando jogar o que se passa na minha cabeça aqui, talvez eu esteja querendo falar algo. Não sei. Eu nunca sei, nunca me entendo.